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19 September 12

Começo a ouvir os diálogos – eles já falam por si –, mas eu ainda não sei quem eles são e nem eles sabem quem são, estão confusos, incipientes. Eu só ouço por que eles são minhas instâncias. Seria muito esclarecedor se suas vidas fossem permeadas por traumas. Isso não é necessário, entretanto, para que suas mentes sejam. Ele é plano, ela é redonda: meras distinções entre a mesma pessoa. Eles conversam, se estudam, se revelam e se escondem.

Ok, gay.

30 August 12
desde então, tenho me corrompido com tanta coisa que sempre achei errado
que sempre me pareceu imoral
fora do que eu guardava como princípios

pergunta: por que interessa tanto parecer pros outros
que graça há em gostar de algo que só parece
que graça há em somente parecer e se aprisionar

passou da hora de rever os conceitos
tu tá na realidade que buscou com a visão antiga de felicidade
mas na visão atual nada é capaz de te fazer feliz

teu novo comportamento extingue o carinho, a justiça, as boas relações, a calma, tua paz interior
tua realidade exige isso
chega de te corromper com a realidade que corrompeu as pessoas e com a corrupção delas
contamina-as

desde então, tenho me corrompido com tanta coisa que sempre achei errado
que sempre me pareceu imoral
fora do que eu guardava como princípios

pergunta: por que interessa tanto parecer pros outros
que graça há em gostar de algo que só parece
que graça há em somente parecer e se aprisionar

passou da hora de rever os conceitos
tu tá na realidade que buscou com a visão antiga de felicidade
mas na visão atual nada é capaz de te fazer feliz

teu novo comportamento extingue o carinho, a justiça, as boas relações, a calma, tua paz interior
tua realidade exige isso
chega de te corromper com a realidade que corrompeu as pessoas e com a corrupção delas
contamina-as

13 February 12
“Toda vez que Myra tentou conseguir liberdade condicional, foram feitas petições, enviadas cartas de protesto à Downing Street e transmitidas entrevistas com os pais de suas vítimas pela televisão. O furor foi tal que nenhum ministro da Justiça ousou assinar os documentos que lhe permitiriam sair da prisão. Mas, em uma sociedade civilizada, na qual o sistema carcerário se baseia na reabilitação, negar os direitos a uma prisioneira é no mínimo uma injustiça. Myra não deveria ter recebido o mesmo tratamento dispensado a outros prisioneiros (homens) que cometeram crimes semelhantes, que foram soltos em regime de liberdade condicional depois de admitir a culpa e cumprir as penas? O que distinguia Myra do resto do grupo? A única resposta que faz algum sentido é de que ela era considerada um monstro. Mulheres não assassinam crianças, portanto uma mulher que faz isso não pode ser mulher. Porém essa criatura também não é um homem; é pior que os dois, é um ser híbrido, uma aberração que não se encaixa em nenhum papel socialmente aceitável e, por isso, nunca deve ter permissão de voltar para a sociedade.” (Shelley Klein)

“Toda vez que Myra tentou conseguir liberdade condicional, foram feitas petições, enviadas cartas de protesto à Downing Street e transmitidas entrevistas com os pais de suas vítimas pela televisão. O furor foi tal que nenhum ministro da Justiça ousou assinar os documentos que lhe permitiriam sair da prisão. Mas, em uma sociedade civilizada, na qual o sistema carcerário se baseia na reabilitação, negar os direitos a uma prisioneira é no mínimo uma injustiça. Myra não deveria ter recebido o mesmo tratamento dispensado a outros prisioneiros (homens) que cometeram crimes semelhantes, que foram soltos em regime de liberdade condicional depois de admitir a culpa e cumprir as penas? O que distinguia Myra do resto do grupo? A única resposta que faz algum sentido é de que ela era considerada um monstro. Mulheres não assassinam crianças, portanto uma mulher que faz isso não pode ser mulher. Porém essa criatura também não é um homem; é pior que os dois, é um ser híbrido, uma aberração que não se encaixa em nenhum papel socialmente aceitável e, por isso, nunca deve ter permissão de voltar para a sociedade.” (Shelley Klein)

2 February 12
Nina. Me pergunto se a melhor coisa que eu posso te oferecer agora não é um sincero pedido de desculpas. Desculpas por ter começado te tirando da tua homeostase, do teu ambiente natural, da tua mãe (que até então te amamentava), dos teus irmãos, da tua antiga dona - que chegou a chorar quando tirei a “Bolinha” de lá. Imaginei que tu sentia falta deles durante todas as vezes em que, te assistindo dormir no meu colo, tu fazia movimentos de sucção com a boca, e tuas patinhas simulavam tocar o peito da tua mamãe; nas vezes em que tu te recusou a comer a ração simplesmente por nunca ter visto aquilo na vida; ou quando tu miava triste durante as primeiras noites que passou aqui. Imaginei que aquela mudança toda te assustava, começando pela viagem de carro até a minha casa, em que tu chorou durante o trajeto todo. Chegando lá ainda, quatro humanos não tiravam os olhos de ti, não descansavam de te agarrar, enquanto tu tentava explorar receosa teu novo território, no auge dos teus 20cm e 600g.

 Tenho o dever de te pedir desculpas também por cada vez em que te deixei sozinha. Não foi muito difícil, nem demorado, perceber o quanto tu evitava essa situação e sofria quando acontecia. Eu achava um amor aquele bichinho que cabia na minha mão me seguindo em qualquer lugar que eu fosse pela casa, inclusive quando eu caminhava dentro de um mesmo cômodo; que queria estar comigo até quando eu ia tomar banho; que “fazia festa”, à sua maneira, quando me via. Mas não deixei de viver minha vida por ti, Nina, enquanto te privava da tua por mim. Nos primeiros dias te fiz companhia na sala, neguei saídas pra cuidar do teu sono; nos próximos, te deixava aos cuidados dos meus pais - e, assim, catalizei nossa despedida -; e cheguei inclusive a viajar sem ti, algo que tu dificilmente esqueceu, a julgar pelas tuas feridas de estresse, tuas tremedeiras quando voltamos, pela comida intocada.

Desculpas por ter perdido a paciência contigo algumas vezes. É verdade que tu queria subir na mesa enquanto comíamos, que tu vomitou no sofá, que tu quase derrubou a árvore de natal - eis que eu acordo 7h da manhã com várias bolinhas caindo no chão e a imobilidade de quem sabe que fez coisa errada -, que tu surtou quando fomos no veterinário, que tu me mordeu e me arranhou incontáveis vezes, que tu resolvia te posicionar exatamente onde nossos pés intencionavam pisar, que tu faz cocô, ou que inconvenientemente tentava entrar nos quartos. Mas é verdade também que tu é uma filhotinha de gato, e portanto se supera em curiosidade, em atrevimento, em orgulho, e tem seus fatores fisiológicos. Nunca tive o direito de, tendo consciencia do que tu é, te exigir um comportamento diferente, no entanto, te assustava batendo com o jornal nas cadeiras, gritava, te deixava fechada no pátio, lutava contra tua natureza. 

E me desculpa por não ter te salvado daquela caixa, Nina. Me senti obrigada a assistir teu pavor, tuas tentativas de me enxergar pelas frestas, de sair por elas e a sorrir praquela estranha, tua nova dona, que alegava “não gostar de gatos” enquanto balançava a tua caixa, pela minha necessidade de desfazer o terror que a minha vida se transformou desde que eu mudei a tua e pela tentativa de dar uma chance a vocês. 

Sempre me perguntei se no fundo tu gostava de estar aqui, se de alguma forma tinha valido a pena todos os desfavores que te fiz, mas como expus aqui, minha perspectiva não é nada boa. Meu maior pedido de desculpas é por ter sido inconsequente, egoísta, carente, egocêntrica, soberba, irresponsável, e por ter deixado todas esses meus defeitos caírem sobre ti, graças à minha incapacidade de depositar um afeto em pessoas e posterior resolução de te usar pra suprir essa carência minha.

 Ao mesmo tempo - não por consolo, mas por sincera declaração -, quero que saiba que te tirei do teu hábitat porque fiquei sabendo que o cachorro que morava contigo machucava os muitos filhotes que a Beth abrigava, e que ela própria queria se livrar deles. Sempre tive a vontade de ter um bichinho de estimação, que, em dezembro, foi exacerbada por talvez questões hormonais e por toda minha a falta de responsabilidade. Planejei tua vinda por cerca de duas semanas, arquitetei tua estadia, até que, assim que minhas férias começaram, te visitei e nos conhecemos. Eu, que fui destinada a adotar teu irmão, me apaixonei pela Bolinha, que de primeira, se aninhou no meu colo desconhecido e dormiu.

Fica sabendo, além disso, que meu janeiro, em maioria, valeu a pena por ter te feito dormir, por brincar contigo e por ter te assistido brincar com os objetos mais inusitados possíveis. Foi engraçado gastar R$ 10,00 em um brinquedo que tu olhou, cheirou, desviou e nunca mais deu atenção, preterindo-o a papeis de bombom. Valeu a pena por ter imaginado tua anatomia enquanto te fazia carinho, sentindo tuas costelinhas frégeis, apalpando órgãos internos. Valeu por ter te dado banho só por assistir aquela carinha molhada de “porquê, mamãe?” e ter sentido teu cheirinho de gato limpo depois. Por ter te admirado pulando pela casa, brincado de esconder contigo, te alimentado, ouvido tuas conversas, sentido teu pelo fininho e macio no meu rosto, teu calorzinho descansando na minha barriga.

Não que eu tenha a pretensão de diminuir meus erros com isso, mas é importante ressaltar que não consigo parar de imaginar a cena que teu novo pai descreveu: tu, em pânico pelo carro, tentando sair desesperadamente da caixa, até que tua “mãe” surta, e chorando te deixa escapar. Não consigo parar de imaginar tua chegada na casa nova, assustada; a tua primeira noite aí, miando de saudade da nossa família; o teu relacionamento com o outro gato, arisco; a mulher se estressando contigo. Que o remorso não acabe comigo. Sem me fazer de vítima, temo quantos pesadelos vou ter pensando nisso. 

De tudo isso, o que resta é o meu arrependimento por ter causado essa situação a todos nós e o pesar por não te ver crescer, por não te ter comigo; mas ainda, resta todo o carinho que sinto e sempre sentirei por ti, as boas lembranças que guardo e o desejo de que, apesar de tudo, tu ainda consiga lembrar da tua ‘mamãe Gab’ e dos momentos bons que passamos juntas, com tanto afeto quanto te seja possível.

Nina. Me pergunto se a melhor coisa que eu posso te oferecer agora não é um sincero pedido de desculpas. Desculpas por ter começado te tirando da tua homeostase, do teu ambiente natural, da tua mãe (que até então te amamentava), dos teus irmãos, da tua antiga dona - que chegou a chorar quando tirei a “Bolinha” de lá. Imaginei que tu sentia falta deles durante todas as vezes em que, te assistindo dormir no meu colo, tu fazia movimentos de sucção com a boca, e tuas patinhas simulavam tocar o peito da tua mamãe; nas vezes em que tu te recusou a comer a ração simplesmente por nunca ter visto aquilo na vida; ou quando tu miava triste durante as primeiras noites que passou aqui. Imaginei que aquela mudança toda te assustava, começando pela viagem de carro até a minha casa, em que tu chorou durante o trajeto todo. Chegando lá ainda, quatro humanos não tiravam os olhos de ti, não descansavam de te agarrar, enquanto tu tentava explorar receosa teu novo território, no auge dos teus 20cm e 600g.

Tenho o dever de te pedir desculpas também por cada vez em que te deixei sozinha. Não foi muito difícil, nem demorado, perceber o quanto tu evitava essa situação e sofria quando acontecia. Eu achava um amor aquele bichinho que cabia na minha mão me seguindo em qualquer lugar que eu fosse pela casa, inclusive quando eu caminhava dentro de um mesmo cômodo; que queria estar comigo até quando eu ia tomar banho; que “fazia festa”, à sua maneira, quando me via. Mas não deixei de viver minha vida por ti, Nina, enquanto te privava da tua por mim. Nos primeiros dias te fiz companhia na sala, neguei saídas pra cuidar do teu sono; nos próximos, te deixava aos cuidados dos meus pais - e, assim, catalizei nossa despedida -; e cheguei inclusive a viajar sem ti, algo que tu dificilmente esqueceu, a julgar pelas tuas feridas de estresse, tuas tremedeiras quando voltamos, pela comida intocada.

Desculpas por ter perdido a paciência contigo algumas vezes. É verdade que tu queria subir na mesa enquanto comíamos, que tu vomitou no sofá, que tu quase derrubou a árvore de natal - eis que eu acordo 7h da manhã com várias bolinhas caindo no chão e a imobilidade de quem sabe que fez coisa errada -, que tu surtou quando fomos no veterinário, que tu me mordeu e me arranhou incontáveis vezes, que tu resolvia te posicionar exatamente onde nossos pés intencionavam pisar, que tu faz cocô, ou que inconvenientemente tentava entrar nos quartos. Mas é verdade também que tu é uma filhotinha de gato, e portanto se supera em curiosidade, em atrevimento, em orgulho, e tem seus fatores fisiológicos. Nunca tive o direito de, tendo consciencia do que tu é, te exigir um comportamento diferente, no entanto, te assustava batendo com o jornal nas cadeiras, gritava, te deixava fechada no pátio, lutava contra tua natureza.

E me desculpa por não ter te salvado daquela caixa, Nina. Me senti obrigada a assistir teu pavor, tuas tentativas de me enxergar pelas frestas, de sair por elas e a sorrir praquela estranha, tua nova dona, que alegava “não gostar de gatos” enquanto balançava a tua caixa, pela minha necessidade de desfazer o terror que a minha vida se transformou desde que eu mudei a tua e pela tentativa de dar uma chance a vocês.

Sempre me perguntei se no fundo tu gostava de estar aqui, se de alguma forma tinha valido a pena todos os desfavores que te fiz, mas como expus aqui, minha perspectiva não é nada boa. Meu maior pedido de desculpas é por ter sido inconsequente, egoísta, carente, egocêntrica, soberba, irresponsável, e por ter deixado todas esses meus defeitos caírem sobre ti, graças à minha incapacidade de depositar um afeto em pessoas e posterior resolução de te usar pra suprir essa carência minha.

Ao mesmo tempo - não por consolo, mas por sincera declaração -, quero que saiba que te tirei do teu hábitat porque fiquei sabendo que o cachorro que morava contigo machucava os muitos filhotes que a Beth abrigava, e que ela própria queria se livrar deles. Sempre tive a vontade de ter um bichinho de estimação, que, em dezembro, foi exacerbada por talvez questões hormonais e por toda minha a falta de responsabilidade. Planejei tua vinda por cerca de duas semanas, arquitetei tua estadia, até que, assim que minhas férias começaram, te visitei e nos conhecemos. Eu, que fui destinada a adotar teu irmão, me apaixonei pela Bolinha, que de primeira, se aninhou no meu colo desconhecido e dormiu.

Fica sabendo, além disso, que meu janeiro, em maioria, valeu a pena por ter te feito dormir, por brincar contigo e por ter te assistido brincar com os objetos mais inusitados possíveis. Foi engraçado gastar R$ 10,00 em um brinquedo que tu olhou, cheirou, desviou e nunca mais deu atenção, preterindo-o a papeis de bombom. Valeu a pena por ter imaginado tua anatomia enquanto te fazia carinho, sentindo tuas costelinhas frégeis, apalpando órgãos internos. Valeu por ter te dado banho só por assistir aquela carinha molhada de “porquê, mamãe?” e ter sentido teu cheirinho de gato limpo depois. Por ter te admirado pulando pela casa, brincado de esconder contigo, te alimentado, ouvido tuas conversas, sentido teu pelo fininho e macio no meu rosto, teu calorzinho descansando na minha barriga.

Não que eu tenha a pretensão de diminuir meus erros com isso, mas é importante ressaltar que não consigo parar de imaginar a cena que teu novo pai descreveu: tu, em pânico pelo carro, tentando sair desesperadamente da caixa, até que tua “mãe” surta, e chorando te deixa escapar. Não consigo parar de imaginar tua chegada na casa nova, assustada; a tua primeira noite aí, miando de saudade da nossa família; o teu relacionamento com o outro gato, arisco; a mulher se estressando contigo. Que o remorso não acabe comigo. Sem me fazer de vítima, temo quantos pesadelos vou ter pensando nisso.

De tudo isso, o que resta é o meu arrependimento por ter causado essa situação a todos nós e o pesar por não te ver crescer, por não te ter comigo; mas ainda, resta todo o carinho que sinto e sempre sentirei por ti, as boas lembranças que guardo e o desejo de que, apesar de tudo, tu ainda consiga lembrar da tua ‘mamãe Gab’ e dos momentos bons que passamos juntas, com tanto afeto quanto te seja possível.

23 October 11
UMA ANÁLISE SOBRE A HISTÓRIA DA CURA

	Pode-se dizer que o objetivo final da Medicina é a cura, ou seja, o restabelecimento e manutenção da saúde. Estudar a História da Medicina é, portanto, atentar para como os diferentes povos e civilizações ao longo do tempo interpretavam o processo saúde-doença, o que eles consideravam por saúde, enfermidades e suas causas e de que formas eles buscavam – caso buscassem – a cura. Essas concepções específicas de cada época claramente refletem a cultura, religiosidade, filosofia e ciência vigentes; logo, sabemos que, assim como esse conjunto de aspectos que regem os homens sofreu mudanças durante a história, o processo da cura também mudou. A partir dessa análise, também podemos compreender a visão atual e ainda especular uma visão futura.
	O homem, como elemento de um ecossistema, vive em constante contato com outras espécies vivas que representam agentes patológicos ou predadores, o que nos indica que sempre sofreu de enfermidades. Os achados da paleopatologia nos mostram que o homem pré-histórico já tinha a capacidade de reconhecer um desequilíbrio na sua saúde e reproduzia comportamentos observados em animais enfermos, como a ingestão de determinadas plantas ou a redução de fraturas. Desta forma, podemos considerar que a busca à cura é intrínseca ao homem, instintiva; suas ações nesse sentido começaram espontaneamente, como forma natural de reduzir a dor e se autopreservar, e foram baseadas na observação e no empirismo.
	Além da consciência da existência, é característica inerente ao homem buscar uma explicação para a enfermidade – ponto determinante para a definição do combate a ela. Ainda na pré-história, observa-se em alguns rituais (por exemplo, a trepanação) em que a enfermidade era creditada a questões espirituais, como possessão por espíritos malignos ou a perda da alma. Aspectos subjetivos foram fortemente usados como justificativa através da história. Na Babilônia, as doenças eram consideradas resultado de punições divinas a desvios de conduta, ações imorais e pecados. É importante comentar que, apesar de as explicações encontradas se concentrarem no âmbito religioso, elas refletem que uma “governabilidade” era considerada no processo saúde-doença. A prevenção, portanto, é um conceito que já encontra algum espaço: à medida que se conhecem as causas da doença, é possível evitá-las, e consequentemente, evitar seus desdobramentos.
	As inferências religiosas foram amplamente seguidas por milênios e são usadas ainda hoje, em algumas culturas. No entanto, um princípio de contradição a elas começou a surgir assim que o homem passou a estudar a sua anatomia. As técnicas de mumificação no Egito foram resultantes da crença na vida após a morte, mas também se pode dizer que restringiu, pelo menos um pouco, no que se refere à cura, o papel da espiritualidade (essa restrição, porém, não significa repulsa, que vai surgir apenas com Hipócrates). O Papiro de Edwin Smith mostra alta precisão na descrição anatômica do coração e dos vasos sanguíneos, e juntamente ao de Ebers, descrevem doenças, técnicas cirúrgicas e apresentam prescrições médicas. Esses papiros são considerados o início da técnica na arte da cura – por limitar as pregarias – e da farmacologia, pelo emprego de muitas ervas medicinais em tratamentos, como a cevada.
	O uso da técnica na cura foi ganhando espaço e começou a ser considerada representativa na Era Renascentista, após vários séculos de condenação aos usos medicinais de ervas e atitudes que fossem de encontro às explicações e metodologias da Igreja Católica – que ainda insistia na doença como castigo divino e a cura proveniente de rezas, fé e contribuições com a igreja. Com a revalorização do pensamento racional e com o surgimento do método científico posteriormente, com Descartes, a anatomia e fisiologia do corpo foram exploradas mais a fundo e o homem passou a ser visto sistematicamente: órgãos e sistemas que trabalham em conjunto, seguindo uma determinada lógica, definem o homem-máquina. A cura, uma vez que reflete a ciência e filosofia vigente, agora se dá racionalmente, é baseada nos estudos do corpo. A Farmacologia surge como ciência no século XIX, o que se mostrou como uma tendência crescente na cura de patologias; analogicamente, “ferramentas” que auxiliam no conserto da “máquina”.
As mudanças na forma em que o homem gerenciou a cura das suas enfermidades espelham essa mudança na concepção do próprio homem sobre si. A partir do momento em que a ciência foi capaz de decodificar o pensamento humano em sinapses e liberação de neurotransmissores, a “alma” – último conceito a sobreviver ao tecnicismo – foi de vez esquecida na busca da cura. Como decorrência disso, aquela figura do médico como um curador tem-se perdido – a relação médico-paciente já não é mais a mesma, pois caminha em direção à impessoalidade imposta pela técnica. Atualmente, a Medicina tem vivenciado uma segmentação em relação ao corpo: a valorização das especializações fortalece a visão metódica, à medida que não vê a pessoa organicamente, como um todo. Um dos prejuízos recorrentes a essa nova relação é a má administração dos fármacos, decorrente da falta de sincronização entre as diferentes áreas de uma pessoa que deveria ser tratada de forma integral. 
A ciência surgiu para auxiliar o homem no seu desenvolvimento. No entanto, ainda somos seres subjetivos e por mais que nossa subjetividade seja explicável tecnicamente, é imprescindível que não a ignoremos para que mantenhamos uma mente sã em corpo são. Jung consegue sintetizar sabiamente essa visão em forma de um conselho que deveria ser levado em consideração pelas presentes e futuras gerações de médicos: “Terapeuta: conheça todas as teorias e técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

UMA ANÁLISE SOBRE A HISTÓRIA DA CURA

Pode-se dizer que o objetivo final da Medicina é a cura, ou seja, o restabelecimento e manutenção da saúde. Estudar a História da Medicina é, portanto, atentar para como os diferentes povos e civilizações ao longo do tempo interpretavam o processo saúde-doença, o que eles consideravam por saúde, enfermidades e suas causas e de que formas eles buscavam – caso buscassem – a cura. Essas concepções específicas de cada época claramente refletem a cultura, religiosidade, filosofia e ciência vigentes; logo, sabemos que, assim como esse conjunto de aspectos que regem os homens sofreu mudanças durante a história, o processo da cura também mudou. A partir dessa análise, também podemos compreender a visão atual e ainda especular uma visão futura.

O homem, como elemento de um ecossistema, vive em constante contato com outras espécies vivas que representam agentes patológicos ou predadores, o que nos indica que sempre sofreu de enfermidades. Os achados da paleopatologia nos mostram que o homem pré-histórico já tinha a capacidade de reconhecer um desequilíbrio na sua saúde e reproduzia comportamentos observados em animais enfermos, como a ingestão de determinadas plantas ou a redução de fraturas. Desta forma, podemos considerar que a busca à cura é intrínseca ao homem, instintiva; suas ações nesse sentido começaram espontaneamente, como forma natural de reduzir a dor e se autopreservar, e foram baseadas na observação e no empirismo.

Além da consciência da existência, é característica inerente ao homem buscar uma explicação para a enfermidade – ponto determinante para a definição do combate a ela. Ainda na pré-história, observa-se em alguns rituais (por exemplo, a trepanação) em que a enfermidade era creditada a questões espirituais, como possessão por espíritos malignos ou a perda da alma. Aspectos subjetivos foram fortemente usados como justificativa através da história. Na Babilônia, as doenças eram consideradas resultado de punições divinas a desvios de conduta, ações imorais e pecados. É importante comentar que, apesar de as explicações encontradas se concentrarem no âmbito religioso, elas refletem que uma “governabilidade” era considerada no processo saúde-doença. A prevenção, portanto, é um conceito que já encontra algum espaço: à medida que se conhecem as causas da doença, é possível evitá-las, e consequentemente, evitar seus desdobramentos.

As inferências religiosas foram amplamente seguidas por milênios e são usadas ainda hoje, em algumas culturas. No entanto, um princípio de contradição a elas começou a surgir assim que o homem passou a estudar a sua anatomia. As técnicas de mumificação no Egito foram resultantes da crença na vida após a morte, mas também se pode dizer que restringiu, pelo menos um pouco, no que se refere à cura, o papel da espiritualidade (essa restrição, porém, não significa repulsa, que vai surgir apenas com Hipócrates). O Papiro de Edwin Smith mostra alta precisão na descrição anatômica do coração e dos vasos sanguíneos, e juntamente ao de Ebers, descrevem doenças, técnicas cirúrgicas e apresentam prescrições médicas. Esses papiros são considerados o início da técnica na arte da cura – por limitar as pregarias – e da farmacologia, pelo emprego de muitas ervas medicinais em tratamentos, como a cevada.

O uso da técnica na cura foi ganhando espaço e começou a ser considerada representativa na Era Renascentista, após vários séculos de condenação aos usos medicinais de ervas e atitudes que fossem de encontro às explicações e metodologias da Igreja Católica – que ainda insistia na doença como castigo divino e a cura proveniente de rezas, fé e contribuições com a igreja. Com a revalorização do pensamento racional e com o surgimento do método científico posteriormente, com Descartes, a anatomia e fisiologia do corpo foram exploradas mais a fundo e o homem passou a ser visto sistematicamente: órgãos e sistemas que trabalham em conjunto, seguindo uma determinada lógica, definem o homem-máquina. A cura, uma vez que reflete a ciência e filosofia vigente, agora se dá racionalmente, é baseada nos estudos do corpo. A Farmacologia surge como ciência no século XIX, o que se mostrou como uma tendência crescente na cura de patologias; analogicamente, “ferramentas” que auxiliam no conserto da “máquina”.

As mudanças na forma em que o homem gerenciou a cura das suas enfermidades espelham essa mudança na concepção do próprio homem sobre si. A partir do momento em que a ciência foi capaz de decodificar o pensamento humano em sinapses e liberação de neurotransmissores, a “alma” – último conceito a sobreviver ao tecnicismo – foi de vez esquecida na busca da cura. Como decorrência disso, aquela figura do médico como um curador tem-se perdido – a relação médico-paciente já não é mais a mesma, pois caminha em direção à impessoalidade imposta pela técnica. Atualmente, a Medicina tem vivenciado uma segmentação em relação ao corpo: a valorização das especializações fortalece a visão metódica, à medida que não vê a pessoa organicamente, como um todo. Um dos prejuízos recorrentes a essa nova relação é a má administração dos fármacos, decorrente da falta de sincronização entre as diferentes áreas de uma pessoa que deveria ser tratada de forma integral.

A ciência surgiu para auxiliar o homem no seu desenvolvimento. No entanto, ainda somos seres subjetivos e por mais que nossa subjetividade seja explicável tecnicamente, é imprescindível que não a ignoremos para que mantenhamos uma mente sã em corpo são. Jung consegue sintetizar sabiamente essa visão em forma de um conselho que deveria ser levado em consideração pelas presentes e futuras gerações de médicos: “Terapeuta: conheça todas as teorias e técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

16 October 11
 NOS BRAÇOS DE MORFEU 

meu sonho, escrito às 6h, na íntegra, quando acabei de acordar:

“ia ter rock in rio no br, as pessoastavam se preocupando, se arrumando, cmprando ingerreos ficando arrumadas. o gustavo marenco ia ficar no capital inicial e lembro dele pulando na cama feliz. quando foi ter, eu fui pra area vip e alguem jogou videogame de clinaria cmg. culinaria. dali eu vi a suendler e o gabriel lunksquentava vestido estranho. foi começar o show. todos fomo pra uma passarela MUITO alta. tdos tavam esperando o show ate que uma voz muito alta do nada fala
ATENÇAO, TODOS SE DIRIJAM PRO MEIO DA PONTE. eu não entendi nada, mas todo mundo saiu da borda, formou uma linha no centro, mas a ponte era tri fina. todos ficaram arads arados parads assustados  esperand nva dic. a voz disse ‘agora os 10~% que tão no meio, joguem os restantes da ponte’. E EU NÃO ENTENDI, PQ PRA MIM TODOS TAVAM NO MEIO. ai eu pnsei ‘será que eu to fora?’ e nçao queria que me jogassem. o andre comiran tava do meu lado, e eu me abracei nele pra nenhum de nós cair, mas ELE SE JOGOU DA PONTE, SOZINHO. E 90% DAS PESSOAS SE JOGARAM VOLUNTARIAMENTE. a voz disse ‘nao joguem as crança’
. sobrou uns 10% mesmo. a gente ficou se olhando. a voz disse ‘parabéns.  partir de agora vcs são responsáveis pelo carma no rincão (??????????????)’ eu acordei mega com medo. eu fiquei pensando ‘rock in rincão’. e nos sonhos de antes, eu coordenava com alguém um restaurante anexo ao ru, meio comunitario, sei al.”

NOS BRAÇOS DE MORFEU

meu sonho, escrito às 6h, na íntegra, quando acabei de acordar:

“ia ter rock in rio no br, as pessoastavam se preocupando, se arrumando, cmprando ingerreos ficando arrumadas. o gustavo marenco ia ficar no capital inicial e lembro dele pulando na cama feliz. quando foi ter, eu fui pra area vip e alguem jogou videogame de clinaria cmg. culinaria. dali eu vi a suendler e o gabriel lunksquentava vestido estranho. foi começar o show. todos fomo pra uma passarela MUITO alta. tdos tavam esperando o show ate que uma voz muito alta do nada fala ATENÇAO, TODOS SE DIRIJAM PRO MEIO DA PONTE. eu não entendi nada, mas todo mundo saiu da borda, formou uma linha no centro, mas a ponte era tri fina. todos ficaram arads arados parads assustados esperand nva dic. a voz disse ‘agora os 10~% que tão no meio, joguem os restantes da ponte’. E EU NÃO ENTENDI, PQ PRA MIM TODOS TAVAM NO MEIO. ai eu pnsei ‘será que eu to fora?’ e nçao queria que me jogassem. o andre comiran tava do meu lado, e eu me abracei nele pra nenhum de nós cair, mas ELE SE JOGOU DA PONTE, SOZINHO. E 90% DAS PESSOAS SE JOGARAM VOLUNTARIAMENTE. a voz disse ‘nao joguem as crança’ . sobrou uns 10% mesmo. a gente ficou se olhando. a voz disse ‘parabéns. partir de agora vcs são responsáveis pelo carma no rincão (??????????????)’ eu acordei mega com medo. eu fiquei pensando ‘rock in rincão’. e nos sonhos de antes, eu coordenava com alguém um restaurante anexo ao ru, meio comunitario, sei al.”

12 October 11

quero fazer um agradecimento especial a todas as pessoas que me fazem amadurecer na marra todos os dias. obrigada por serem mal educados, ofensivos, grosseiros, sem consideração comigo, só assim pude aprender que o mundo é injusto e que eu sou uma fraca, inapta a viver com vcs. me deem uma solução.

Posted: 3:07 AM

eu não escrevo mais porque eu mesma rebateria todos os meus argumentos. e se eu fizesse um texto só com as conclusões finais e realmente maduras, eu não ia gostar do resultado. prefiro não ver. se é verdade que eu fui conivente com a situação que se criou até agora, comodista e transigente, seria eu conivente, comodista e transigente com a verdade estampada no meu bloco de notas? “não me venham com conclusões!” abandonaria eu a conivência, comodismo e transigência para corroborar a única conclusão de Fernando Pessoa?

29 September 11
DROPS# O mais irônico foi o meu pai – logo ele – querer comprar um perfume igual ao teu. Eu amo teu perfume, ao contrário do que eu disse - “não, pai, ele é meio enjoativo, tu vai cansar desse cheiro rapidinho” - sendo que quem já não podia sentir esse cheiro, na verdade, era eu. O mais infeliz foi o meu pai querer borrifar o perfume num daqueles papeizinhos e o jato pegar na manga do meu casaco. Cada movimento que eu fiz no resto do dia foi o equivalente a lembrar que tu existe, quando essa é a última coisa que eu deveria querer. É segredo que, como eu não tinha percebido o perfume no meu braço, eu roubei o papelzinho com o teu cheiro e enfiei no bolso. É segredo também que agora eu resgatei o papel, tu esteve aqui por um instante e eu enjoei.- Oi, tem amizade?
- Tá em falta. Tem interesse, serve?
- Hmmm… depende, posso dar uma olhadinha?
- Vou lá pegar. (…) Olha, não achei o interesse, mas achei uma hipocrisia aqui, tá bem novinha!
- Ah, tá ótima mesmo! Vou levar. Empacota pra presente? # Vocês sabiam que, pra neurociência, motivação primárias são coisas como fome, sede e sexo? Não é surpreendente, visto que pro encéfalo, nossas motivações primárias devem ser necessidades básicas de sobrevivência, mas me peguei achando muito engraçado confundir com conceitos cotidianos. Imagina que eu vou pra uma entrevista de emprego e o entrevistador pergunta: “Quais as suas maiores motivações?”, aí eu, que naturalmente estudei, respondo: “comer, beber e fazer sexo”. Só um pensamento de ônibus. Passou.

DROPS

# O mais irônico foi o meu pai – logo ele – querer comprar um perfume igual ao teu. Eu amo teu perfume, ao contrário do que eu disse - “não, pai, ele é meio enjoativo, tu vai cansar desse cheiro rapidinho” - sendo que quem já não podia sentir esse cheiro, na verdade, era eu. O mais infeliz foi o meu pai querer borrifar o perfume num daqueles papeizinhos e o jato pegar na manga do meu casaco. Cada movimento que eu fiz no resto do dia foi o equivalente a lembrar que tu existe, quando essa é a última coisa que eu deveria querer. É segredo que, como eu não tinha percebido o perfume no meu braço, eu roubei o papelzinho com o teu cheiro e enfiei no bolso. É segredo também que agora eu resgatei o papel, tu esteve aqui por um instante e eu enjoei.

- Oi, tem amizade?
- Tá em falta. Tem interesse, serve?
- Hmmm… depende, posso dar uma olhadinha?
- Vou lá pegar. (…) Olha, não achei o interesse, mas achei uma hipocrisia aqui, tá bem novinha!
- Ah, tá ótima mesmo! Vou levar. Empacota pra presente?

# Vocês sabiam que, pra neurociência, motivação primárias são coisas como fome, sede e sexo? Não é surpreendente, visto que pro encéfalo, nossas motivações primárias devem ser necessidades básicas de sobrevivência, mas me peguei achando muito engraçado confundir com conceitos cotidianos. Imagina que eu vou pra uma entrevista de emprego e o entrevistador pergunta: “Quais as suas maiores motivações?”, aí eu, que naturalmente estudei, respondo: “comer, beber e fazer sexo”. Só um pensamento de ônibus. Passou.

24 September 11
sensação de não ter NINGUÉM no mundo. minha mãe me abandonou há muito tempo, meu irmão nunca esteve comigo e dessa vez foi meu pai, a única pessoa no mundo com quem eu achei que podia contar. falo da minha familia pq também já achava que era a relação mais real que eu tinha com alguém, já que amigos sempre acham um jeito de desdenhar da minha amizade e cansei de ser apenas puramente usada por namoradinhos. eu cansei de fingir que eu não me importo, me passar por forte, por indiferente na rua, na frente das pessoas, se por dentro tá sempre a mesma MERDA, se quando eu chego em casa a armadura cai e eu sou a mesma guriazinha frágil. cansei de sorrir por uma simpatia que nunca é valorizada, me preocupar de verdade com problemas dos outros e não receber o mesmo em troca, por amar um pessoa e ser agredida. o sentimento que mais me permeia agora é o de ser TRAÍDA, em todos os sentidos, na maior parte dos meus relacionamentos. não vi UMA pessoa aqui sendo justa comigo, e tudo o que eu fiz pra ser tão odiada foi reproduzir comportamentos que eles mesmos me ensinaram. como eu posso ser diferente se tudo que eu recebi ao longo da minha vida foram gritos, tapas, castigos, desprezo? agora a culpa é minha por eu ser quem eu sou? eu TENTEI mudar, e eu CONSEGUI, mas nada que eu faço de bom é notado (entretanto, qualquer QUASE erro é distorcido, aumentado e ‘devidamente’ resolvido). as pessoas realmente não sabem lidar com gente que as tratam com solicitude. a pessoa passa por ludibriável e é isso que acaba acontecendo. é verdade que bonzinho só se fode, pq as pessoas tão tão acostumadas nesse mundo de cacete a serem fodidas que quando aparece alguém com boas intenções elas tem que cagar em cima, pra aliviarem um pouquinho da frustração delas de terem tido suas cabeças cagadas outrora e terem momentaneamente o vil prazer de se sentirem superiores, é a ignorante e estúpida transmissão da violência numa das formas mais sutis, que parece ser algo justo pro mundo. eu cansei de ser enganada, passada pra trás, castigada por coisas que fogem ao meu alcance, traída, traída. a grande verdade é que as pessoas só respeitam quem não respeita elas. masoquismo, hipocrisia, imoralidade, machismo, intransigência, eu odeio vcs, eu odeio esse mundo ridículo, onde a gente só finge, finge, se fode, fica quieto, se fode, fica quieto. cansei de tentar me adaptar, eu só torço muito pra que todo mundo que me machuca sofra muito ainda, de verdade. e eu sei que é muito fácil a partir daqui desistir de tudo, me matar, me isolar, mas eu NUNCA vou dar essa vitória pra vocês, sinceramente. eu vou continuar seguindo o ideal da minha vida, que é ajudar as pessoas, e olha, certamente eu ainda vou me foder muito, sabe, mas eu AINDA vou ver vcs caírem. o pior de tudo é eu saber que mesmo que eu tivesse toda a oportunidade do mundo de me vingar de todos, eu nunca faria, pq eu nunca fiz isso, mesmo tendo todas as ferramentes, e ainda não considero aceitável. sei lá, sofrer pelas minhas mãos ninguém vai, pq mesmo com raiva eu tenho ‘princípios’, mas pode acreditar que eu vou me sentir muito feliz vendo que o ‘acaso’ contribuiu pro karma de vcs. eu só fico muito triste por saber que tudo isso tá me recrudescendo, sabe, isso, independente da nossa vontade, nos molda de uma forma dificilmente reversível. torço pra que eu nunca esqueça certas opiniões minhas - que chamei de ‘princípios’ ali, entre aspas pq essa palavra foi tão falsamente usada ao longo da história que hoje é cômico eu falar ela no sentido literal - que eu acho que deveriam ser universais, porque são tão absurdamente básicas, embora ninguém tenha a dignidade de pensar nisso, por estarem alienados, bestializados, digitalizados, deturpados, manipulados, enlatados, observados, controlados, enganados, traídos e traídos. o resto é consequência. espero que pelo menos AQUI eu possa expressar uma raiva que, putaquepariu, é completamente normal alguma(sss) vez(esss) na vida. vê se me julguem agora.

sensação de não ter NINGUÉM no mundo. minha mãe me abandonou há muito tempo, meu irmão nunca esteve comigo e dessa vez foi meu pai, a única pessoa no mundo com quem eu achei que podia contar. falo da minha familia pq também já achava que era a relação mais real que eu tinha com alguém, já que amigos sempre acham um jeito de desdenhar da minha amizade e cansei de ser apenas puramente usada por namoradinhos. eu cansei de fingir que eu não me importo, me passar por forte, por indiferente na rua, na frente das pessoas, se por dentro tá sempre a mesma MERDA, se quando eu chego em casa a armadura cai e eu sou a mesma guriazinha frágil. cansei de sorrir por uma simpatia que nunca é valorizada, me preocupar de verdade com problemas dos outros e não receber o mesmo em troca, por amar um pessoa e ser agredida. o sentimento que mais me permeia agora é o de ser TRAÍDA, em todos os sentidos, na maior parte dos meus relacionamentos. não vi UMA pessoa aqui sendo justa comigo, e tudo o que eu fiz pra ser tão odiada foi reproduzir comportamentos que eles mesmos me ensinaram. como eu posso ser diferente se tudo que eu recebi ao longo da minha vida foram gritos, tapas, castigos, desprezo? agora a culpa é minha por eu ser quem eu sou? eu TENTEI mudar, e eu CONSEGUI, mas nada que eu faço de bom é notado (entretanto, qualquer QUASE erro é distorcido, aumentado e ‘devidamente’ resolvido). as pessoas realmente não sabem lidar com gente que as tratam com solicitude. a pessoa passa por ludibriável e é isso que acaba acontecendo. é verdade que bonzinho só se fode, pq as pessoas tão tão acostumadas nesse mundo de cacete a serem fodidas que quando aparece alguém com boas intenções elas tem que cagar em cima, pra aliviarem um pouquinho da frustração delas de terem tido suas cabeças cagadas outrora e terem momentaneamente o vil prazer de se sentirem superiores, é a ignorante e estúpida transmissão da violência numa das formas mais sutis, que parece ser algo justo pro mundo. eu cansei de ser enganada, passada pra trás, castigada por coisas que fogem ao meu alcance, traída, traída. a grande verdade é que as pessoas só respeitam quem não respeita elas. masoquismo, hipocrisia, imoralidade, machismo, intransigência, eu odeio vcs, eu odeio esse mundo ridículo, onde a gente só finge, finge, se fode, fica quieto, se fode, fica quieto. cansei de tentar me adaptar, eu só torço muito pra que todo mundo que me machuca sofra muito ainda, de verdade. e eu sei que é muito fácil a partir daqui desistir de tudo, me matar, me isolar, mas eu NUNCA vou dar essa vitória pra vocês, sinceramente. eu vou continuar seguindo o ideal da minha vida, que é ajudar as pessoas, e olha, certamente eu ainda vou me foder muito, sabe, mas eu AINDA vou ver vcs caírem. o pior de tudo é eu saber que mesmo que eu tivesse toda a oportunidade do mundo de me vingar de todos, eu nunca faria, pq eu nunca fiz isso, mesmo tendo todas as ferramentes, e ainda não considero aceitável. sei lá, sofrer pelas minhas mãos ninguém vai, pq mesmo com raiva eu tenho ‘princípios’, mas pode acreditar que eu vou me sentir muito feliz vendo que o ‘acaso’ contribuiu pro karma de vcs. eu só fico muito triste por saber que tudo isso tá me recrudescendo, sabe, isso, independente da nossa vontade, nos molda de uma forma dificilmente reversível. torço pra que eu nunca esqueça certas opiniões minhas - que chamei de ‘princípios’ ali, entre aspas pq essa palavra foi tão falsamente usada ao longo da história que hoje é cômico eu falar ela no sentido literal - que eu acho que deveriam ser universais, porque são tão absurdamente básicas, embora ninguém tenha a dignidade de pensar nisso, por estarem alienados, bestializados, digitalizados, deturpados, manipulados, enlatados, observados, controlados, enganados, traídos e traídos. o resto é consequência. espero que pelo menos AQUI eu possa expressar uma raiva que, putaquepariu, é completamente normal alguma(sss) vez(esss) na vida. vê se me julguem agora.

Themed by Hunson. Originally by Josh